terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A fila anda é coisa de vaca!

tem gente que toma um pé na bunda e já sai anunciando para todo mundo
a fila andaaa:

Tem coisa mais corna que isso ?
Fica com 300homens em uma semana depois soh pra fazer charme...
E o amor, e as palavras?
parece ate prostituta que acaba de transar com um cliente e já vai com outro ! elas sim pode falar
A FILA ANDA...
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**O destino une e separa as Pessoas,
mas nenhuma força é capaz de nos
fazer esquecer de alguém que nos
fez feliz por um momento**

http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=4346120


Logo acima é uma descrição de mais uma comunidade do orkut, atacando a consagrada e tão popular expressão a fila anda. Realmente a tendência é buscar quantidade e deixar de lado qualidade. Hoje em dia há uma busca frenética pelo prazer sexual...Ora se você está em uma relação que visa apenas a tua satisfação sexual sem envolvimento então você está a praticar masturbação a dois!
Tanto se comemora pelos avanços da questão da femilidade, mas vejo que há muito o que se evoluir quanto as mulheres, quiçá a sociedade em geral.
Orgasmo eu posso conseguir sozinho, mas e quanto carinho, confiança e afeto, eu buscarei em uma relação a dois, posso confiar e sentir afeto em um alguém que acabei de conhecer?
Entendo é ótimo transar apenas por tesão, sexo é o que há de melhor para fazer nessa vida, porém será que a prosmicuidade é necessária para se haver o prazer? Será que todas as relações sexuais são realmente prazeirosas? Será que só penetrar uma femea de forma frenética é garantia de prazer? Acho que o sexo tem inúmeras possibilidades prazeirosas para ser experimentado, e isso só é possível se ambos conhecerem seus corpos e do parceiro, e quanto mais houver amor e confiança, cada vez mais o sexo será gostoso de praticar, uma brincadeira sadia que permitirá ambos acordarem felizes e satisfeitos...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Wake up Neo!


The One


Eis que me alimentava da pílula azul, vivia em um mundo de pseudo felicidade, na verdade de sombria tranqüilidade, que só fazia com que eu fosse mutilado.
O ódio que nutri contra eu mesmo me jogou no fundo do poço, mas teimoso que sou não hei de me entregar, a partir do lodo do mar de decepção, que feito areia movediça cobriu todo o meu corpo, alma e espírito, irei me levantar nem que seja para me alimentar de gosma verde, e ter que deitar-me em camas de prego, tendo que suportar viver em um mundo dominado por máquinas, o mundo por trás da Matrix.Minha motivação é maior, busco ser feliz, e tornar o remanescente de Zion, o meu povo também desperto e verdadeiramente feliz.
Engoli a seco a pílula vermelha, amarga porém excelente para se abrir os olhos, mas vejam só, quanta ironia, quem me ofereceu a pílula foi o deus dos sonhos...
Sim, a desilusão é o primeiro passo rumo a liberdade ocasionado pela verdade.

"Conhecerás a verdade e a verdade vos libertará"

Então eu clamo, levanta-se Oh escolhido!
Você tem uma importante missão a fazer, mas em primeiro lugar é preciso se conhecer, para que possa descobrir naturalmente o quanto é especial, não pense que você pode fazer, faça o que tem que ser feito!
Não pense que você é, saiba que és.
Ser o escolhido é como estar apaixonado, ninguém lhe precisa dizer nada, você sente, está dentro de ti, e conseqüentemente tu agiras conforme aquilo que sentes, pois essa natureza te impulsiona a mostrar a tua luz.
Saiba antes de mais nada que um de seus obstáculos é a espécie humana, pois ela é feito um vírus, destrói tudo que está ao seu alcance, suga toda a matéria presente em um organismo, depois do infeliz estar desfalecendo, a maldita "desumanidade" não se turba em abusar de outro semelhante.
Todos na verdade são a pilha que alimenta a Matrix, em contrapartida, há os agentes, na qual sua função é proteger o sistema, não permitindo que as pessoas despertem para a realidade.
Os agentes habita todos os lugares, pode tomar a forma de quem quizer, desde uma simpática velhinha que está a atravessar a rua com suas compras na mão, até uma mulher sedutora e insinuante olhando de forma luxuriante para a próxima vítima a ser abatida.
Sempre que entrar em contato com eles fuja, pois eles não mediram esforços para te destruir, já que você está a contestar a Matrix.
Me envolvi com dois Agentes Smiths, e saí muito ferido desse encontro, dei o nome para esses seres de musas quando eu habitava o mundo dos sonhos.Porém eu sei que esse inimigo íntimo nasceu de mim, de minhas fraquesas e o único modo de vencê-lo é enfrentá-lo de frente, não mais fugir de mim mesmo, para que isso aconteça eu terei que acreditar que sou eu verdadeiramente o escolhido.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Pensamentos meus no momento de minha maior desilusão

O orgasmo é o momento em que a carne habita o mundo astral.
Em mim habita o pupilo e o mestre divagando sobre as leis da natureza.
A necessidade é a mãe dos vícios.

Dentro do circo romano, o público aplaude, joga rosas, entra em êxtase com a ferida de nosso valente herói, porém era esperado que o gladiador sangrasse, mesmo assim ele passa em meio ao escárnio, em resposta a platéia em sua panacéia chega a jogar seus pães em nosso fabuloso herói. Ele não se mostra abatido, na verdade aparenta ser inabalável, totalmente livre de emoções, onde antes havia respiração sobraram apenas sussurros, porém o som é marcante, é hipnótico, como o barulho das ondas ao se chocar aos rochedos, prestes a provocar as erosões, mudando a vida, e as ondas tragam tudo que se encontra na areia, tudo que teimosamente os insensatos teimaram em construir, e o mar, amante de Narciso, está satisfeito com essa refeição.
Nosso herói ferido, por flechadas e machadadas, ri da própria desgraça, assim do mesmo jeito em que a platéia zomba dele, e isso me faz perguntar de forma embasbacada, que força extraordinária faz nosso herói prosseguir?
Outrora ele foi humilhado como nenhum homem foi e jamais será, insultado, ridicularizado, esquecido, deixado, apenas por se rebelar contra Deus, que é natureza, porquanto não lhe é permitido ser poeta, um entendido do amor, pois assim Deus ordenou:
Crescei vos e multiplicai vos.
Ele está levando sua cruz, o Cristo Moisés, andando pelo deserto em círculos, foi contaminado por chagas malignas em sua alma, estando com muita sede e fome de amor bateu na porta da terra prometida, porém não lhe foi permitido entrar, pois ele feriu o pacto sagrado do arco íris, aquele que diz para nunca se mostrar fraco com aqueles que o segue.
Só depois que Moisés virou espírito descobriu que nesse plano carnal o amor é utopia, um sentimento tão elevado só os cosmos pode suportar.
As fábulas que os humanos chamaram de amor nada mais é que insights momentâneos para que aja a procriação da espécie desumana, idêntico a necessidade do alimento ou do repouso.
Por esses dias eu vi a face de Deus, é realmente lindo, mas é inútil explicar, só quem o viu poderá saber a dimensão desse momento.
O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta, quem ama não se arde em ciúmes, não deseja mal, não sente inveja, não ofende, o amor é o refúgio para as horas incertas, e só é livre quem ama.
Deus é o Verbo, a palavra que gera a ação, assim como um corpo sem espírito é morto, uma palavra sem ação não tem valor algum. Portanto quem ama demonstre, através de carinhos e afagos mil, beijos e abraços, com essas demonstrações dizer que ama será quase que desnecessário.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Corpo espiritual




O que não me destrói me fortalece Nietzche

Sou apenas um anjo, que vaga em plena imensidão, sem destino, tudo inútil, em vão.
A liberdade recém adquirida me cega, como os raios de sol, estou confuso, é muita liberdade para ser desfrutada.
Pensei que minha luta era apenas para encontrar a paz e a liberdade, e assim que conseguisse este meu intento eu seria feliz, então cheguei a onde queria, mas descobri que não foi o suficiente.
Então eu me vi, e notei que sou um anjo, apenas uma alma sem corpo, na eternidade serei feliz, mas no mundo material jamais conseguirei esse intento até eu encontrar o meu corpo, até o momento que minha alma fará movimentos sincronizados com o meu corpo.
Eu notei meu movimento, enquanto minha carne estava preso como uma rocha e nem as ondas do mar tinham força para movê-la, minha alma como sempre vagava pelo espaço, enquanto minha amada mergulhava meu espírito a acompanhava, porém a carne estava ancorada como um sinistro navio de tristeza e de medos, esse navio possui um furo no casco, preciso tampá-lo, preciso fazer ele navegar em águas calmas, levá-lo até a ilha deserta do amor, e assim poder salvar quem eu amo.
Enquanto eu não consigo encontrar o meu corpo, quem eu amo tenta suprir suas carências, mesmo assim eu amo e sou correspondido, e sei que me espera pois eu sou o anjo da guarda que tanto pede em suas preces, sou aquele que trará felicidade, quem amo sabe disso, e eu lhe faço sentir um certo bem estar, eu carrego a luz que dissipa as trevas, porém o amor só é possível viver de forma completa se for uma entrega de corpo e alma.
O anjo beija, o anjo ama, acaricia, penetra, passeia pelo corpo, em um sagrado culto do amor, porém o corpo está coberto até a cabeça nas trevas do medo, a alma vive mas o corpo esta morto pois não foi devidamente alimentado, não evoluiu porque não se permitiu sentir, por medo, um medo anestesiante, um medo misterioso e vulgar, fobia por explorar o terreno desconhecido e não voltar mais, embora que o sagrado já o encontrou! É muito triste ver quem amamos em uma busca incessante pelo cumprimento de seu ideal, e saber que esta felicidade está na sua mão, e por causa de ser apenas um anjo você não pode suprir suas carências, pois ela sente o anjo, mas não o vê, e isso não é suficiente para que termine o sofrimento, então restalhe a esperança para que suas vidas façam sentido, e o alimento dessa esperança é a luz angelical.
O dia em que o anjo se tornar carne a felicidade fará morada,
e todas as buscas cessaram, e toda as lágrimas secaram, pois só ira restar o amor.
Alma deixa de ser prolixa e puritana, encontre o corpo e torne-se profana, assim finalmente encontrará o Nirvana.

Manfreedo= homem torne-se livre;

Liberte seu corpo das amarras do medo, para que assim ele possa vagar com sua alma.

domingo, 18 de janeiro de 2009

A face de Eros




Jovem Artêmis, a deusa da caça, a líder das amazonas, muito sábia em querer deter o amor...



Eros é um deus primordial, o deus da criação, filho do Caos, portanto possui em sua característica a destruição e a desolação. É o deus da humildade, do desapego, do amor sublime, dos poetas livres, dos artistas sonhadores, grande apreciador da
beleza, tanto material quanto em essência.
Eros através de sua flecha permite que a humanidade prolifere, em ato de misericórdia permite que as pessoas possuam desejos eróticos e senso de proteção.
Este deus não necessita de nada para suprir, ele dorme ao relento, para observar as estrelas, ele vive a beira do rio, para contemplar a beleza dos espelhos d'agua, além de cortejar as sereias, sempre criança, sempre alegre e esperançoso, revela a rota para os navegantes se guiarem, assim como presta resgate as tempestades que poderá surgir, ele, o amor, é a bússola de ouro no mar profundo e misterioso da vida.
Porém este deus não é belo como é corriqueiro acreditar, certa vez ele me apareceu com um capuz, envolto em extrema curiosidade pelas lendas que ouvi na qual quem ver seu rosto beberá das fontes límpidas da felicidade, quis descobrir a sua face, eu o fitei, e notei o quanto é terrível, uma aparência bem próxima de um touro, a ponto de atacar-lhe, totalmente bestial, fumava por suas ventas, e movido por uma selvageria incrível atacou-me, e feriu-me de uma forma tão cruel que matou minha alma, perdi minha fé, agora vivo a caminhar no deserto procurando em vão um oásis para repousar minha cabeça.
O amor existiu, viveu entre nós, morreu de braços abertos sem reclamar, esperando que no devido tempo deixemos de mesquinharias e nos voltemos em seu abraço, para podermos um dia saciarmos nossas carências, em muito regozijo, através de um deleitoso banquete de justiça, paz e amor.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Projeto 28

Depois de querer anestesiar a minha apatia, subornar meu silêncio e contemplação com sensações novas e prazerosas, vivendo em uma doce ilusão, me tornando um respeitável vegetal, decidi mudar o rumo de meus passos.
Cheguei a essa conclusão pois tudo aquilo que me dava prazer anteriormente já não surtirá o mesmo efeito, na verdade tornou-se um vício, uma forma de preencher um vazio que cavei dentro de mim.
Progressivamente, com o passar dos anos, descobri outros prazeres mais áureos, quase que ocultos, por detrás da fachada material e da hipocrisia. Esse prazer é o de amigos, que compartilham com você belos momentos, porquanto basta apenas se encontrar, independente do local, para que o momento seja maravilhoso. Sem cobranças, apenas união, eis a verdadeira alma gêmea, um romance metafísico.
Essas amizades é o que eu guardarei eternamente, os meus excessos antigos queimaram na minha vida anterior que deixo para trás.
O projeto 28 é algo que eu me dedicarei intensamente em cumprir, mas o princípio é simples, são minhas pretenções de chegar a plenitude de meu ser aos 28 anos de idade.
Tenho aspirações simples, pretendo assim como a música do Jorge Ben jor, continuar a viver em um país tropical abençoado por Deus, tocar violão e ter um fusca, por fim, desejo estar com Teresa, ou Joana, ou Penelope...
Outra coisa que desejo é comprar um apartamento, de preferência no primeiro andar para evitar as escadas, mobiliarei esse meu santuário com o frutos de minha mão...
Comprarei um trailer e viajarei por meu país continente, conhecerei em profundidade a beleza que meu Deus esculpiu com bastante diligência, embora o que considero de mais belo é o sorriso e o brilho no olhar de quem amo.
Procurarei médicos, monges e magos para me instruir acerca de como devo lidar melhor com meu corpo, eles me indicaram drogas e ervas para que assim eu possa beirar a perfeição, quem sabe poderei assim estar com a forma física de um Adônis, ou Apolo? Sem dúvida exercícios físicos não deveram faltar, penso em academia, porém eu descobri em mim, crescendo lentamente uma claustrofobia ideológica, que a cada dia me atormenta em querer viver enclausurado, meus exercícios poderiam ser feitos ao ar livre, caminhadas, corridas e natação, além de aproveitar as barras do parque de minha cidade, mimos de quem a governa, para fazer abdominais, entre outros exercícios.Aprenderei os movimentos da yoga e do Tai Chi Chuan.
Aprenderei profissões, e me manterei no emprego, até que eu possa me aposentar, ou gerar uma renda satisfatória, dinheiro é o modo para se chegar aquilo que é supérfluo, aquilo que se é mais elevado só se alcança pagando com o ouro de sua casa da moeda, guardado pelo cofre de seu coração!
Viajarei como nunca, praias, baías, rios planícies, vegetações, catedrais, asfalto, urbanizações, barzinhos, pessoas, tudo serão parte de mim.
Se eu não viajar de corpo, viajarei em mente e espírito, através de livros, vislumbrarei mundos fantásticos que de outra forma jamais poderia encontrá-los, também são mundos na qual eu habito, são como minha casa de praia.
Pretenderei freqüentar uma igreja que me agradou, de pessoas simples e amorosas perto de meu lar, será algo muito valoroso para mim.
Viverei de uma forma epícura, onde valoriza os verdadeiros amigos, e de forma cínica, não a pejorativa, mas a original, onde não me deixarei levar pelas coisas que não importam, não serei presa do consumismo, viverei cada vez mais apenas com o essencial.
Essa é será minha busca pelo tempo perdido, em pró da felicidade, e firmo um pacto hoje, comigo mesmo, para cumprir todo esse propósito!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Narciso, o herói mau compreendido




Narciso era um belo jovem, tanto em seu íntimo quando em sua aparência, era um filósofo, tinha por costume flanar, portanto rapaz muito distraído com as formas belas que se apresentavam em seu horizonte, afinal pessoas lindas sente-se inclinados a estar em volta de formas lindas.
Ele costumava se banhar em cachoeiras, na qual era contemplado pelas ninfas apaixonadas. Ele observava embasbacado o sol em forma alanranjada no céu, abaixando a cortina, e anunciando o fim de seu ato no Teatro celestial, porém o sol não voltava a seu repouso sem antes saudar a Narciso, levantado sua sobrancelha, como um sinal de regozijo e de afeto a seu tão ilustre admirador, então via-se o espetáculo do poente, com aquilo que foi se tomando por costume chamar de aurora.
Narciso andava na orla da praia, com suas sapatilhas em sua mão, ele chutava docemente areia em sua caminhada, a poeira chutada recebia um brilho, uma luz própria, e se transformavam em vagalumes, circundando a todos que seguem o rastro de Narciso, para que estes não se percam no caminho, um caminho em que se sabe o destino, porém não há mapas, bússolas ou gps, para se guiar, apenas a força irresistível da natureza, o poder do vento, o caminho que leva ao paraíso, o caminho do coração.
Se o mar está agitado na travessa desse fabuloso herói, as sereias que suspiram com sua fragrância solta pelo ar, se arrepiam com seu leve caminhar, sentindo seus corações dispararem com o aumento progressivo de seus passos, roga a Poseidon que acalme a maré em favor de seu amado, e o deus do mar, por não aguentar mais os gritos histéricos das sereias determinadas, atendem seu anseio.
Todas as guerras do mundo antigo foram travadas para conquistar nosso tímido e sereno herói, espartanos, gregos e troianos queriam a atenção de Narciso exclusivamente para si, porém ele apenas caminhava calmamente, de cabeça baixa em torno de destroços e fumaça de batalha, não olhava ao lado, o circulo que se formava olhando vorazmente sua direção. Ele falava consigo mesmo perturbado, porque o homem briga tanto? Porque que correm tanto, é necessário ter tanta pressa assim? Por isso julgo melhor estar na companhia de meu pensamento, pois é muito perigoso estar em voltas de selvagens que poderam trucidar minhas vísceras, e para não me pertubar com a violência alheia, vou me voltar apenas criar meu mundo, mergulhar na profundesa de meus pensamentos, e minha mente será meu casco de tartaruga, que me proteje e me serve de morada, assim como também será minha oficina.
Até os deuses queriam tomar ele para si, usavam de várias artimanhas para conseguir, porém Narciso permanecia impenetrável em seu mundo, sua couraça era extremamente forte para resistir até os deuses, Eros o lançou flechas, que entortaram-se próximo a Narciso, ou por vezes
se repeliam, Afrodite dançou nua diante de sua fronte, atirando pétalas, remexendo suas ancas, nosso herói admirou, porém não turbou seu coração e seguiu o caminho em busca da terra prometida. As ninfas comentavam entre elas, nos bosques ouvia-se um som estridente dos animais, eram elas fofocando, uma falava como que pode um ser tão lindo estar sempre sozinho? Outra respondia:- Aquele rapaz é muito metido, pensa que é maior que Zeus? Quem é ele para nos rejeitar? um reles mortal! Havia entre elas uma mais exaltada, que não parava mais de falar, sua voz para os que passavam era tido como semelhante a maritacas no cio! Essa então exclamou: Eu vou seduzir esse homem e o terei para mim, pois eu consigo, sou mais bela que vocês, e sem esse homem eu não vivo! Ele me tira o sono, ele é meu sonho, mesmo quando acordada.Suas companheiras ainda tentaram conter-la nessa sua missão auto-destrutiva, alertando de que até os deuses tentaram seduzi-lo e ele não se desviou de seu íntimo, mas a ninfa, que tinha o Nome de Eco não deu ouvidos ao alerta, e finalizou: Vocês falam isso por que são covardes, e sinto que há uma inveja latente dentro de vocês, pois claramente sabem que não tem condições de conquistar esse fabuloso rapaz, vocês perceberam que os deuses o fizeram para mim, e não aceitam, por isso querem me impedir a buscar o que é meu! Após essas palavras, Eco saíu ao encontro de Narciso.
O encontrou observando os galhos de uma árvore, passando seus dedos acariciando as folhas, então seu coração disparou, ela trêmula chegou diante de seu amado, e lhe perguntou com a voz falha quase que gaguejando- posso ficar um pouco com você ?
Ele respondeu sorridente: Claro que sim, fique a vontade!
Nos primeiros instantes eles não falaram nada, ela olhava para baixo, e ele olhava curioso ao céu, até que então, a ninfa observa aos pés de Narciso uma flauta, feita com gravetos de árvore, com uma folha em sua ponta.
Então ela perguntou:
-O que é isso meu nobre rapaz?
Ele a um primeiro momento não entendeu a mensagem, porém ela voltou a perguntar do objeto, o puxando pela manga, o despertando.
Então responde, é apenas um graveto que faz barulho entregue por um satírico que me acompanhava em minhas andanças.
Eco pergunta curiosa; como se faz barulho nisso? Na qual Narciso responde, é só colocar a sua boca em uma das pontas e soprar, deixe te mostrar, é assim, então ele soprou e soou um belo som feito o som de um rouxinol.
Ela se apresou em pegar o instrumento nas mãos de Narciso, acariciando levemente seus dedos, - Deixe-me tentar fazer um som! Ela pediu, quando tentou assoprar, saiu apenas vento, na qual fez com que seu amado risse, a princípio Eco ficou muito irritada com as gargalhadas dele, porém conforme ela encarava seu semblante, passou a admira-lo mais ainda, e seu coração também foi preenchido de alegria fazendo com que também cai-se na gargalhada.
Então Narciso se despede, e ela insiste que fica-se mais um tempo com ao seu lado, pois nunca ninguém tinha feito ela se sentir tão bem. Ele fala, hoje não posso ficar, eu tenho que seguir minha caminhada, tenho que ir a Delfos, para que seja revelado meu destino, de como encontro o acesso ao monte olimpo, e me servir do banquete dos deuses, na qual sou convidado de honra!
Eco guardando uma grande fúria, porém disfarçando seu semblante, concorda com a decisão de Narciso, e ambos se despedem mas combinam de se encontrar em
outra oportunidade debaixo dos carvalhais.
Por dias eles se encontraram e conversaram, em testemunha das formas da natureza e dos espíritos dos bosques, até que ocorre o momento do adeus, e nosso herói beija a testa de sua companheira com ternura e lhe diz que seguirá seu caminho sozinho,
porquanto é necessário encontrar minha nirvana, minha purificação, meu auge, minha consagração, em seus olhos eu vi, notei que não poderei cumprir essa trilha com você, então
o melhor a fazer é me esquecer! Eco ficou muito chateada com essas palavras frias e realistas desferida por seu amor idealizado.Então ela suplicou a para que seu amado fica-se eternamente ao seu lado, agarrando-lhe pelas pernas falou lhe que seu destino é habitar eternamente a sua caverna, e ser a candeia de sua alma. Narciso respondeu lhe que ele possui muito afazeres em sua vida, muitos cuidados com seu mundo, com seu interior para se preocupar com o vazio de outrém, a minha caminhada é longa e árdua rumo ao centro do universo, o meu umbigo!
Ela a segurou com tanto ímpeto que rasgou um pedaço de suas vestes, mas ele conseguiu escapar, dessa armadilha sentimental.
Eco ficou tristonha, e no seu semblante jamais será vista a alegria de outrora, ela se fechou
em sua caverna, e selou seu destino a murmurar e refletir os gritos daqueles que bradam nas portas de seu lar.
Nêmesis a deusa das ordens sociais, do equilíbrio coletivo, viu que Narciso era uma ameaça para a conservação da vida, por não se enlaçar com outro de sua espécie e assim não gerar outro ser,
e se a ideologia de Narciso fosse difundida entre seus pares ele era o fim da espécie humana.
Portanto a deusa socialista (não confunda com socialite), tramou contra a vida de
nosso herói, e lançou a maldição de que, quando ele encontra-se o que mais ansiava, a sua imagem refletida em espelhos d'agua, certamente morrerás, esse é o castigo da impenitência
dele em não se dobrar as ordens sociais.
Narciso andava por um bosque por nome de Parságada, e no meio do bosque havia um lago chamado Walden, ele estava com muita sede e se aproximou ao lago.
Quando inclinou sua cabeça e estava com suas mãos em formato de conchas,
eis que ele observa o reflexo, e se encanta com tamanha visão, ele se viu dentro das águas,
o lago guardava Narciso dentro de seu íntimo, e finalmente a busca de nosso herói terminou!
Ele não teve dúvidas, saltou em busca desse paraíso perdido! E lá ele se uniu ao lago, para sempre, o seu verdadeiro amor, e dessa união foi gerado filhos, as flores narcisos que
circundavam a margem.