«2"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez - e tu com ela, poeirinha da poeira!". Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?"» Vivi outras vidas com a condenação de ser um poeta. Amar e sofrer em unissono, esse é o combustível que incendeia as chamas da vida, para que eu pudesse me mover durante a eternidade.
Morava eu nas cavernas, e dava minha vida em caças arriscadas para que minha musa e minha prole sobrevivesse. Fui um Nômade, que vendo todos aqueles que fazem parte de mim sofrerem pelos castigos da terra, os levei pela mão em busca de Canaã, para que podessem se alimentar do maná, e se deleitar com o mel.
Eu fui Moisés, o Homem que deixou sua vida de representação como o herdeiro egípcio, para se tornar o humilde e poderoso guia de Deus para seu povo.
Levei os amados como cordeiro, passando por todas as desventuras impostas pela natureza, mas que nos favorecia, para resgatar o povo santo.
Estive a porta do paraíso, levei quem amava até a terra prometida, mas quando quis entrar, esta porta se fechou perante minha face!
Minha sina durante a Eternidade!
Sempre estive diante a porta celestial, vestido de saco, esperando que o maná caisse do céu, da mesa de meu Senhor, para que eu finalmente pudesse viver a plenitude do amor, porém a vida de forma irônica convidou para esse banquete apenas aqueles que não sente o aroma suave do alimento das almas, e todos aqueles que possui sua lingua formigada, cauterizada, estão a se debandar de excessos na festa, devoram tudo de forma gulosa, como porcos se alimentando de lavagem, eu do outro lado da fortaleza, percebendo os fatos que se sucedem vez por vez, eternidade por eternidade, exclamo: Estou maltrapilho, com fome de amor e sede de justiça, porém miserável é aquele que se farta do mais deleitoso alimento sem sentir o seu gosto e sentir o cheiro suave de seu aroma!
E o ciclo se estende outras vidas mais. Sofri o mesmo quando Dirceu, Orfeu, Odisseu, na verdade todo seu, o minha amada pastorinha, aquela menina acanhada de olhos curiosos e flamejantes que fulmina o meu corpo com um ardor semelhante a sarça do amor, esse fogo que acende a candeia de meu coração, para iluminar o meu caminho a El Dorado, caminho esse cheio de espinhos e abrolhos, porém uma vez iluminado minha estrada graças a minha musa, eu enxergo que as ruas são feitos de ouro, de rubi e de sáfira, então me alegro pois estou próximo ao meu destino, mas será que meu amor vai abrir a porta?
A natureza tem suas razões para esconder lacrado na caixa de pandora o elixir da felicidade, e condenar as belas moças a sofrerem na alma, e fazer com que os mais alvos, destemidos e honrados cavalheiros, desfaleçam solitáriamente no deserto da desilusão, eles que se lançaram em missões em busca do Santo Graal, com o sonho utópico de se embriagaram com o doce vinho do amor, mas que triste e irônico destino, todos mortos por causa da sede no deserto, no momento em que estavam tão próximo da fonte da vida. Os corvos e abutres se fartaram da carne dos nobres homens e beberam da água da fonte, fizeram sem sentir o sabor, o fizeram apenas para saciar seu instinto de sobrevivência perante o tempo.
Os abutres se tornaram fortes, deixaram decendentes como praga no mundo, esses mesmos que destroem a vida perante os séculos.
Mas esse sofrimento tem como razão única e exclusivamente impedir o acesso ao paraíso nessa vida. A natureza ordenou: Você só entrará no céu se morrer.
Então eu desesperado com minha vida miserável resolvi praticar um sacrifício justo, afim de finalmente poder repousar minha alma no trono do altíssimo, então depois de meu Hara kiri, para meu desgosto, eu entrei novamente na roda da fortuna.
Como alento em minha nova vida, recebi o ônus de que fossem apagadas todas as minhas memórias , todo o sofrimento se foi, tábula rasa agora, portanto senti que finalmente poderia ter um caminho de paz em busca da comunhão perpétua com Deus.
Mas estando eu a caminhar em direção ao lago, para beber de águas puras e tranquilas, eis que vejo novamente aquela que fez arrebatar meu espírito, ela é o paraíso que não me foi permitido entrar, aquela que sempre bati na porta de seu coração, mas não foi dado-me a devida atenção, ela é meu céu, meu inferno, meu limbo, minha razão de viver, a única lógica que encontrei nesse mundo louco, lá estou diante dela, uma primeira vez eu a fito, depois de inúmeras vezes, e ela sorri lindamente, como jamais tinha visto igual, ela anda calmamente com um cãntaro em minha direção e do lago.
Ela é a expressão da mais sublime poesia, branca de neve! Seu rosto cândido fazem com que ouça canções de júbilo e louvores em minha alma, ela é de baixa estatura, o típico 1,60cm, tamanho esse que me faz desejar levar em meus braços ao palácio do amor, sua voz é tão bela como as ondas do mar, quando sussura em meus ouvidos é como se escuta-se diretamente de uma concha a trombeta angelical. Ela possui as proporções de uma mulher plena, o corpo mais lindo que já vi! Tão feminino...Só de contemplá-la fico extasiado. Ela caminha como uma bailarina, que risca suavemente o solo, mas possui uma sensualidade, um gingado de uma dançarina do ventre, ela conhece os segregos mais herméticos da arte do amor, e possui uma energia que eletrifica e me faz querer estar sempre unido a ela, feito um ima.Seus lábios vermelhos, me deixam na expectativa e aguça meu desejo de brindar do nectar de seus beijos, acredito que o mais próximo que estarei dos paraíso é quando tocar os lábios de minha amada.Mas eu me pergunto, o que ocorrerá após beijá-la? Será que irá ocorrer o big ben? Será que os elementos em nosso redor entrará em combustão influêciado pela grande chamas que estavam guardado desde o início do tempo e que não resfriou, ao contrário, só passou a aumentar conforme os anos foram passando?Pois digo que a espera de encontrar o amor que nos foi destinado só serviu para aquecer o sol que habita nosso ser, que na verdade é uno, ela esta em minha essência, eu estou na dela, pele, corpo, alma e espírito em comunhão.
Será que o tempo irá parar quando esses dois universos se chocarem? Então é compreensivel que a natureza tenha impedido que algo tão dispendioso tenha acontecido...
Quantos anjos Jacó teve com que lutar para poder beijar sua amada Raquel? 14 anos foram necessários para ele pudesse subir a escada de Betel e encontrar seu paraíso, a sua amada Raquel.
Durante minhas reflexões ela se achegou a mim, e perguntou sobre quem eu era e o que fazia por ali, eu lhe disse: Sou o coração de leão, mas que vive em vão, aguardando meu chamado para cumprir a minha missão.
Conversaram por dias afim, estreitaram laços, ouve uma atração muito grande e uma grande confiança entre os dois, porém a parede de vidro evitou que fosse consumado o amor.
Eu a amo como minha alma, pois de fato ela é, eu sou ela, ela é eu, um para o outro,a minha missão eu encontrei, e é complementá-la e fazer com que ambos desenvolva suas potencialidades.
Quando li sua alma, através de suas ações, vi o quanto é infinitamente linda, sem igual, inteligente, sabia, solta, simpática, soberana, determinada, pode passar o maior sofrimento do mundo, que mesmo ferida, passa por todas as dificuldades com impecável maestria. Não há inimigo que resista a seu poder.Tão forte e tão menina que apenas quer colo, um pouco de aconchego para encontrar a paz.
Aqui estou eu, feliz por ter a encontrado, mas por quanto tempo? Quantas vezes mais eu preciso morrer para poder viver em plenitude?
São as angústias que sinto toda vez que entro no ringue para lutar com o anjo do Senhor!