sábado, 18 de abril de 2009

O emblema Susan Boyle

Susan Boyle, uma mulher despresada pelas chancelas sociais, gorda, velha e feia.
Ela não serve para fazer com que se consuma cerveja, ou para fazer com que compremos cigarros, ou andemos de carros velozes, mas uma vez que pronuncia seu canto, nos deixa em lágrimas com tamanha beleza de sua voz de anjo.
Em entrevista ela confessou que nunca havia se casado, nem sequer foi beijada, e quando nasceu teve um problema de saúde que futuramente fez com que esse fardo servisse de chacota para todos que a rodeavam.
Então o preconceito que fez com que se torna-se uma pessoa solitária, permitiu uma maior dedicação a música, e também como alento a sua alma triste, e como resultado, nesse último 14/04, o mundo todo conheceu o seu potêncial.
Mas o que significa esse fenômeno chamado Susan Boyle?
Diria que é inspirador a vitória de um humilde desprezado perante a platéia infâme,pois, desde os aures tempos a sociedade se amontoa para o espetáculo do pão e o circo, onde aguardam sedentos de sangue a carnificina, ou a degradante humilhação de quem se espõe ao espetáculo.
Quantos gladiadores não foram sacrificados em nome de um deus irado, que na verdade é uma platéia assassina?
Poucos são os guerreiros que se tornaram triunfantes nessas batalhas pela vida.
Nosso Salvador também venceu após enfrentar uma platéia inimiga.E como sinal de sua divindade humilde, clamou ao pai: Perdoem-los porque não sabem o que fazem.
E o respeitável público cantou louvores a seu messias eleito, Barrabás.
Os heróis da massa tem que ser loiro, alto, de porte atlético, rico, hipócrita, demagogo, sanguinário, irresponsável.
Se for mulher terá que ser magra, com rosto de criança, frágil, expressão ariana, cintura fina e quadris largos, mais recentemente entrou na lista, os seios fartos.
Nos empurram estes estigmas da perfeição, ou adotamos ou seremos expulsos do sistema.
Ah se o homem comum possuisse liberdade para notar que a beleza é subjetiva, que todas as pessoas são encantadoras, e todos possuem algo de especial!
Dizem que todos são filhos de Deus, e todos merecem um lugar ao sol, mas pelo modo que nós, os fora de padrões somos tratados, diria que estamos na classificação de filhos bastardos de Deus!
Sim, eu também sou um despresado.
Por possuir os seguintes defeitos:
Sou trabalhador, carinhoso, amoroso, sincero, honesto, leal, honrado, inteligente, simpático, de bons modos, romântico, idealista, esperançoso.
Um homem para ser admirado pela massa precisa ser mentiroso, arrogante, indolente, compulsivo, ignorante, irreverente, sarcástico, promíscuo.
Algo que me chama muito atenção é a música escolhida por Susan.

Dream is dream - les miserables

Houve um tempo em que os homens eram bons
Suas vozes eram doces
e suas palavras encorajadoras
Houve um tempo em que o amor era cego
E o mundo era uma canção
E essa cançaõ era excitante
Houve um tempo... e então tudo deu errado

Eu sonhei um sonho num tempo que se foi
Quando as esperanças eram grandes e a vida valia ser vivida,
Eu sonhei que o amor nunca morreria
Eu sonhei que Deus poderia perdoar.

Então eu era jovem e destemido,
Quando os sonhos eram sonhados, realizados e desperdiçados.
Não havia preços a serem pagos,
Nem canção não cantada, nem vinho não provado.

Mas os tigres vêm à noite,
Com sua voz suave como o trovão,
Como se despedaçassem suas esperanças
Como se transformassem seus sonhos em vergonha

Ele dormiu por um verão comigo
Ele preencheu meus dias com amor sem fim
Ele levou minha juventude em sua correia
Mas ele se foi quando o outono chegou

E ainda sonhava com ele vindo a mim
E nós viveríamos os anos juntos,
Mas há sonhos que não podem ser
E há tempestades que não podemos prever.

Eu tive um sonho de como minha vida seria
Tão diferente deste inferno que estou vivendo
Tão diferente agora daquilo que parecia
Agora a vida matou o sonho
Que eu sonhei.


Essa música também me é muito simbólica, pois noto que nós, os "miseráveis" temos nossos sonhos desfeitos pela vida, como castigo pelo dom que a própria vida nos deu, de sermos diferentes.
Eu não lamento pelo que sou, é um fardo que carrego com alegria, pois eu tenho o que poucos têm, a liberdade de ser eu mesmo, sou tão rejeitado que até dos julgamentos sociais sou livre. E essa é minha meta, liberdade sempre, cada vez mais.

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