domingo, 12 de outubro de 2008

Maldito incubo!

Dia de tristeza, desolação, em meio a solidão, ao silêncio, habito um lugar em que nem os grilos ousam cantar, só ouço a batida de meu coração, cada vez mais lenta, mais preguiçosa quase que sussurrando, ele ficou rouco de tanto gritar de desespero.
Eu faço uma viagem astral, a olho, ela esta estonteante, ainda mais linda do que a ultima vez que a vi, porém sua beleza é mórbida, sua feição é pálida, as nuvens eclipsaram sua alma que tanto me inspira. Me apresso nesse sonho em pegar suas mãos, mas eu paro, pois há algo que ela segura com devoção, é a foto de seu amado, o boto encantado, que a natureza fez questão de a levar em seus braços só para zombar de minha pessoa, a natureza me amaldiçoá, ela me deu uma tarefa, de ser apenas poeta, de sentir o amor, de proclamá-lo , de ser testemunha desse sentimento sublime, mas nunca vivenciá-lo, vivo feito um Moisés a vagar em meio ao deserto, sem ninguém por perto, para quando eu estiver as portas do paraíso, não poder entrar, sou a eterna testemunha vestida de saco, que não pode ter esperança, que tem como única companhia as lembranças do que foi, do que poderia ter sido, vivo apenas para sofrer, para amar, e com essa mistura de sensações, que vai me remoendo por dentro eu vou fazer florir bons sentimentos, que vou proclamá-lo ao mundo.
Ela acende velas para seu fantasma, eu sinto um vento frio vindo a seu quarto, vejo uma lágrima escorregar de seu rosto delicado, essa lágrima dilacera minha alma, o vento gélido que entra pela janela é ele, o boto, que na verdade é um Incubu, feito um vampiro, veio para trazer a morte a minha amada, a seduziu, fez ela invocar meus demônios, para poder assim nos afastar, demônios esses que lutei para não sair dessa caixa de pandora.
Ele a prometeu que a iria amar para sempre, que a levaria ao mar, mentiu, a deixou na solidão feito penelope a espera de seu Ulises, conhecido pelo ato cruel de atirar flechas, para deixar sua presa desfalecer, até Rei Salomão condena quem comete tal ato maldito! O Incubu trará o amor e prazer a minha amada todas as noites, matará ela aos poucos, matará de afeto, de luxúria, ele impedirá que a musa faça brilhar ao mundo sua alma exuberante, eclipsada por essa paixão doentia, feito da mesma matéria que me possuiu, a essência das trevas. Eu grito: não se deixe dominar! Não se entregue! Saia daqui ser diabólico! Mas ele prossegue... Se a musa resistir, ela será tão forte quanto a Rainha Vitória, porém não há esperanças, pois ninguém tem poder suficiente para deter um fantasma. Lamento também não ter mais como enxugar suas lágrimas, pois esse é o alimento dessa criatura demoníaca, em troca ele dará a minha amada o prazer do amor intenso e profano.
Pedi para despertar desse pesadelo, não aguento mais ver esse circo de horrores, quero o mais de pressa possível abrir meu olhos!
Acordei, e logo ao me levantar, fiz uma prece, para afastar esses demônios que insistem em querer cirandar com minha vida e a da mulher que me fascina! Outro pedido Senhor, traga-lhe o amor verdadeiro, para então ela finalmente ser feliz! Independente Senhor de quem seja, apenas permita que ela seja feliz, para finalmente ela poder viver !

Nenhum comentário: